Mulheres nos videogames: muito ajuda quem não atrapalha!


Muito se discute hoje sobre o aumento significativo de mulheres que jogam videogame. Na década de 80 e 90 não era algo comum de se ver, já que os videogames eram uma espécie de brinquedo feito para meninos. Esta era a visão das empresas e o público alvo, que muitas pessoas hoje enxergam como algum tipo de conspiração contra as mulheres, mas que era visto como algo natural na época.

Com a evolução tecnológica e possibilidades, os videogames deixaram de ser um brinquedo de meninos. Na verdade, deixaram de ser brinquedos. Aqueles meninos cresceram, e o interesse deles pelos videogames que permaneceu, prova de que não se tratava apenas de um brinquedo, e sim uma nova peça da cultura e entretenimento, tal como o cinema.

O crescimento do nicho criou gêneros distintos e aumentou o público dos jogos. Muito se discute se o público feminino, que tem crescido imensamente, está sendo excluído na hora da criação de novos jogos.


Será que isso é verdade?

Anita Sarkeesian: não importa o jogo,
 ela sempre acha um problema.
Tem muita mulher que não costuma jogar ou nunca jogou que gosta de dar a opinião sobre o assunto. Tudo o que estou dizendo aqui é uma opinião vinda de uma garota que joga desde pequena, que tem videogames como a principal fonte de diversão, mesmo quando a indústria direcionava o ainda "brinquedo" para os meninos.

Na minha infância, o que me incomodava era a quantidade de personagens femininas disponíveis para se jogar. Jogos de lutas com apenas uma personagem mulher para se escolher ou protagonistas masculinos, sem direito a escolha.

Tela de seleção de personagens Mortal Kombat: Apenas 1 lutadora.
Se as poucas personagens disponíveis eram peitudas, saradas e gostosas, nunca foi problema algum pra mim, eu achava divertido. Sensualidade nunca foi um tabu pra mim, ou algo visto como motivo de vergonha para a mulher. Ao meu ver, este atributo faz parte da mulher, é um jogo de poder.

Dito isso, o que eu queria eram mulheres no comando, heroínas importantes, protagonistas poderosas para que eu pudesse me identificar, vivenciar a história e "colocar no avatar". Nenhum menino faz questão de jogar com um protagonista adolescente espinhento com as costas encurvadas, mas sim com o guerreiro poderoso, fortão e musculoso. Do mesmo jeito, meu interesse não era me sentir adequadamente "representada" no jogo, mas exatamente encarnar uma personagem muito mais impressionante do que eu posso ser na vida real.

Bayonetta: Sexy, independente e poderosa!

As críticas destrutivas

Hoje existem mulheres concentrando suas críticas de forma errada. Pouco a pouco as mulheres tomam espaço no mundo dos games, mas a cada personagem protagonista que os desenvolvedores fazem - tentando aumentar a igualdade na demanda feminina do mercado - as mulheres reclamam de tudo que existe nas personagens criadas.

Reclamam se elas são sensuais demais, se elas são magras demais, se elas estão pouco vestidas, se elas estão usando vestidos de princesa e não de guerreiras, se elas estão frágeis demais, se elas são frias demais ou emotivas demais...enfim, reclamam de qualquer característica que não seja absolutamente "neutra".

Samus, da série Metroid: Uma das primeiras

O desenvolvedor


Tudo isso pode prejudicar na hora de criar um personagem. Se você é desenvolvedor sabe que, no cenário que temos, você pode criar um homem de qualquer forma, com qualquer personalidade, que pode morrer, apanhar, bater, ser magro, gordo, fortão, lindo e safado que os jogadores vão aceitar aquilo como uma arte dentro do contexto sem reclamar (de forma generalizada). Mas você pensa dez vezes quando vai criar uma personagem feminina, já que não quer criar problemas com as sentinelas chatas de plantão.

Pro desenvolvedor do jogo, é mais fácil e tem menos aporrinhação fazer um personagem masculino mesmo, que ainda por cima vai vender bem, do que se meter tentando criar uma mulher, afinal de contas, não importa o que você faça, elas sempre vão encontrar algo pra reclamar.

Em alguns casos, as tentativas ainda podem sair frustradas, já que você não pode fazer uma mulher sexy ou que goste de usar a sensualidade de qualquer forma para não desagradar o tal público ativista, então acaba correndo o risco de fazer uma personagem sem vida, sem roupas marcantes, sem traços de personalidade ou caricaturas fortes, que não desperta o interesse do público, não te faz rir nem chorar.

Saber apreciar


Jogos com protagonistas femininas vão crescendo à medida em que o público também cresce, mas é importante saber apreciar o progresso e valorizar as diferenças.


Esse tipo de abordagem ideológica que tem sido feito por algumas mulheres hoje (que muitas delas nem sequer jogam o jogo antes de falar), procura por problemas mesmo que as personagens passem por um rigoroso cuidado pelos criadores tentando agradá-las. Todos os jogos com mulheres, por um motivo ou por outro, acabam sendo atacados.

Nariko usa mais roupa que Kratos, mas adivinha qual dos dois é alvo de protestos?

Temos diversos jogos com personagens femininas de poder e personalidade. Muitas delas são sensuais, outras não são. Muitas são frágeis, outras são guerreiras indomáveis. Chega de fazer abordagem negativa em todo o tipo de mulher sensual que aparece por aí. Isso só cria um empecilho a mais pra quem quer fazer personagens femininas em seus jogos. Só cria um motivo a mais para as produtoras evitarem esse “problema”.

Ao invés de perseguir e denunciar os jogos cuja protagonista não te agrada, que tal usar suas energias pra promover e divulgar aqueles que fazem de seja lá o que você considera ser o “jeito certo” de ser mulher?